Fibromialgia: Quando tudo dói

Técnicas orientais aliviam sintomas da fibromialgia.
Quem nunca ouviu alguém se queixar de dores pelo corpo todo? Provavelmente essas pessoas sofrem de fibromialgia. Trata-se de uma doença ainda sem cura e de origem desconhecida, que é caracterizada por dor generalizada pelos músculos, acompanhada de cansaço, além de alterações no humor e no sono. Ela acomete de 2% a 4% da população, principalmente as mulheres. O número é de oito para cada homem, mas ainda não se sabe o real motivo. Segundo os especialistas, o tratamento convencional medicamentoso, habitualmente à base de drogas antidepressivas, só alivia satisfatoriamente menos de 50% dos casos. “Diversos estudos apontam a acupuntura como uma técnica que alivia os sintomas dessa doença -incluindo humor e sono – e que melhora a qualidade de vida em até 67% dos pacientes”, explica o clínico geral e acupunturista Ricardo Calmont e Antunes, diretor do Centro Médico de Terapias Integradas do Leblon, Rio de Janeiro.
O Instituto Nacional de Saúde norte-americano (NIH, na sigla em inglês) define a acupuntura como alternativa aceitável, um método auxiliar ou parte de um programa para o tratamento desse problema. “A acupuntura se mostra capaz, inclusive, de induzir a remissão completa da dor num número significativo de casos, e os melhores resultados têm sido obtidos com a individualização do tratamento”, completa o especialista.
A síndrome parece ser multifatorial. Pelos estudos realizados até hoje foi evidenciada uma predisposição genética que associada a infecções, traumas físicos e estresse emocional. Na visão oriental, a dor musculoesquelética é causada pela estagnação do Qi, que é uma substância vital nos canais energéticos do corpo. “Com o objetivo de fazer com que ele circule, se utiliza a acupuntura e a massoterapia chinesa Tui Na, que possibilitam uma importante ação analgésica”, explica o presidente da Associação Brasileira de Ayurveda (Abra), o reumatologista e acupunturista Aderson Moreira da Rocha.
Embora não seja fatal, a fibromialgia causa grande prejuízo à qualidade de vida e ao trabalho, a ponto de 10% das suas vítimas serem incapazes de exercer qualquer tipo de ocupação. O diagnóstico – que deve sempre ser realizado pelo médico a fim de afastar outras doenças – é confirmado pelo exame físico do paciente, por não haver dosagens ou outros exames complementares que caracterizem a fibromialgia. “A acupuntura pode também ser associada aos medicamentos que o paciente já usa para que as doses possam ser diminuídas, assim como a incidência e gravidade de possíveis efeitos colaterais”, explica Ricardo.
Pesquisadores do Hospital das Clínicas da USP vêm realizando um estudo sobre fibromialgia que tem dado indícios de que a suspensão total do tratamento pela acupuntura poderia levar à reincidência da dor após alguns meses, o que exigiria alguma manutenção. “O tratamento eficaz da fibromialgia, assim como de qualquer quadro crônico, exige disciplina e constância por parte do paciente, porque os resultados surgem geralmente aos poucos”, diz Ricardo Calmont. De acordo com o especialista, alguns dos mecanismos pelos quais a acupuntura age nesta doença são fáceis de compreender: ela modula o limiar da dor através de mecanismos periféricos e centrais, e influi na secreção de serotonina, ajudando a equilibrar o humor. “Ainda, se olharmos o mapa dos 18 pontos sensíveis definidos para o diagnóstico da fibromialgia, é fácil perceber que todos têm a mesma localização, ou estão muito próximos, de pontos de acupuntura descritos tradicionalmente”, avalia o médico Ricardo Calmont.
Os pacientes com fibromialgia podem tirar grande proveito, ainda, de técnicas de relaxamento como a ioga e a meditação, que comprovadamente diminuem a ansiedade, a depressão e melhoram a qualidade do sono e a fadiga. “Vale destacar que não existe uma fórmula única. Por ser uma doença crônica, de difícil tratamento, cada paciente necessita de uma abordagem individualizada”, salienta Aderson.

Informação adicional:
Aderson Moreira da Rocha é clínico geral, reumatologista, acupunturista e pesquisador da medicina oriental há mais de 20 anos, com cursos nos Estados Unidos e China. Mestre e doutorando em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e presidente da Associação Brasileira de Ayurveda (Abra).
Ricardo Calmont e Antunes – médico e acupunturista que atua no Centro Médico de Terapias Integradas do Leblon, Rio de Janeiro. É membro do Colégio Médico de Acupuntura, diretor de ensino do Instituto de Acupuntura do Rio de Janeiro (Iarj). É também especialista e mestre em endocrinologia.

 

Fonte: Saúde.com.br

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