Lesão Medular: Desafios da Reabilitação

Um dos maiores desafios da medicina e da fisioterapia é reverter um processo de lesão medular e proporcionar melhor qualidade de vida ao paciente, e isso já aconteceu na vida de Darek Fidyka, que teve uma lesão medular depois de levar  vários golpes a facada que atravessou a medula espinhal, do ex-marido de sua atual companheira. Ele vive no interior da Polônia, onde lhe foi dado o prognóstico de que jamais voltaria a andar, mas para Darek, voltar a andar não era impossível. Diz que sabia que seria difícil e demorado, mas que ia lutar muito!

O cientista britânico Geoffrey Raisman especialista em regeneração da medula espinhal da University College – Londres, tem como objetivo de sua carreira estudar sobre estes tipos de lesões neurológicas, buscando como regenerá-las. E passou a buscar como criar novas conexões entre as células da medula espinhal que se desconectaram e trazer de volta movimentos perdidos por este motivo. O professor explica que “A espinha é como uma estrada. Os carros que vão do norte para o sul levam os comandos do cérebro para o corpo. E os carros que vão do sul para o norte carregam as sensações até o cérebro. Se acontece um ferimento grave, é como se uma ponte se rompesse na estrada. É preciso consertar a rodovia. Então é necessário procurar alguma parte do sistema nervoso que passe o tempo todo se consertando sozinha”, ou seja, a medula é uma via formada por nervos afarentes e eferentes que se algo rompe a ligação entre estas vias e o cérebro, não há resposta do mesmo para que o movimento seja executado de forma correta pelo corpo, e para que isso ocorra é necessário encontrar células que possam se regerar e refazer tais ligações. E foi buscando tais células que descobriu que a resposta estava no sistema olfativo que está em renovação constante. O professor descobriu nas células do BULBO OLFATIVO uma possibilidade de obter os resultados procurados, e pelo fato de serem do próprio paciente não havia riscos de rejeição.

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Os testes com as células começaram em animais. Foram realizados os transplantes em ratos que antes da cirurgia realizavam determinadas atividades com dificuldades e após realizado o transplante, conseguiam executar as mesmas  atividades com mais agilidade, e isso mostrou que era possível realizar o sonho de restaurar movimentos já perdidos.

Após um ano de tratamentos fisioterapêuticos buscando a reabilitação, Darek foi submetido ao transplante. Sua lesão não era completa, na medula foi encontrada uma fenda de mais de 1cm, e assim foram injetadas as células em várias partes da medula, ao todo foram 100 micro-injeções.

Ao longo de 3 meses foram realizadas condutas fisioterapêuticas para auxiliar no retorno dos movimentos e acelerar o processo de regeneração da medula. Alongamentos, exercícios de fortalecimento muscular, controle de esfincter, treino de deambulação, foram algumas das condutas adotadas neste processo, e após esse período os resultados já poderiam ser visualizados e sentidos pelo paciente: “Comecei a ganhar músculos e a sentir frio, calor, formigamento. Antes da cirurgia, eu não conseguia pedalar. Depois, já comecei a ter algum movimento”, conta Darek. Isso mostra que tanto as vias aferentes quanto as vias eferentes já estavam reagindo ao procedimento.

Passados 1 ano e 8 meses da realização do transplante Darek ainda está no início de um processo de reabilitação que ainda terá ótimos resultados, mas que já podem ser comemorados com a possibilidade de deambular com auxilio de um andador e até mesmo dirigir um carro adaptado, o que antes era considerado impossível.

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Nossa esperança é de que possamos presenciar em nosso país casos como este!

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