Quando o esporte vira vida

A emoção provocada pelo esporte é sinônima de vida e liberdade para os praticantes de bocha adaptada.
A emoção provocada pelo esporte é sinônima de vida e liberdade para os praticantes de “bocha adaptada”. A dificuldade de arremessar as bolas de couro e areia com a ajuda do queixo, com apenas um dos pés ou encaixada nas mãos é esquecida quando o resultado do lançamento as deixa próximas da bola branca (bola alvo), que guia a pontuação da partida.
Os atletas são pessoas com paralisia cerebral ou lesões ainda irreversíveis na medula, cujas sequelas limitam os movimentos. Nem por isso o espírito de competitividade e o prazer de vencer o jogo são menores. Pelo contrário: são uma mistura de superação e força de vontade.
A prática chegou em Alagoas em 2009 e surgiu a partir da iniciativa do professor de Educação Física Guilherme Vasconcelos Pereira, 33 anos. Há nove anos convivendo com uma tetraplegia, oriunda de uma queda treinando ginástica olímpica, ele se tornou um “guerreiro” pelo esporte, que vai além da prática esportiva.
“O bocha me renovou. Após o acidente, não sabia que direção tomar quanto à prática do esporte, já que minha lesão é alta (no pescoço), na coluna cervical, o que compromete braços e pernas”, conta Guilherme.
O contato com o esporte nasceu ainda no Hospital Sara Kubitschek, em Brasília, referência nacional para vítimas de lesões medulares e cerebrais. Lá, assim como aqui, a atividade está associada a sua capacidade de sociabilidade, inclusão, autoestima e, principalmente, desenvolvimento físico, motor, mental e respiratório.

No Rio
O aperfeiçoamento da prática Guilherme obteve no Rio de Janeiro, onde, a partir de observar o grande número de praticantes, elaborou um projeto e foi à luta.
“A principal ideia era o que fazer para atrair outras pessoas”, lembrou o inquieto Guilherme, que, sem temer as dificuldades de deslocamento, superou-as com o auxílio de sua cuidadora, a quem carinhosamente chama de “anja”, Rosineide Gomes.
“Só fiz tudo isso porque a bocha representa um resgate, com relação à autonomia depois de um acidente, que, muitas vezes, as pessoas e o próprio deficiente acreditavam que não podiam fazer”, definiu.

 

Fonte: Fisioterapia

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