Saiba como a Fisioterapia pode ajudar na Síncope Vasovagal

Após quase dois anos de estudos conjuntos, um grupo de pesquisadores da Faculdade de Medicina (FMRP) está propondo novo protocolo para avaliação da Síncope Vasovagal, que é benigna, mas atinge cerca de 3% da população masculina e 3,5% da feminina, principalmente adultos jovens. A Síncope Vasovagal, caracterizada por desmaios repentinos, pode comprometer a qualidade de vida das pessoas em função de traumas causados por quedas e ser mais agravante ainda se essa pessoa estiver dirigindo, por exemplo.
Todas as pessoas têm pequenas e constantes oscilações durante a postura de pé imperceptíveis, uma espécie de correção no corpo que melhora a eficiência do retorno do sangue venoso para o coração. Mas quando há um desbalanço do sistema periférico, ou seja, o sangue fica acumulado nos membros inferiores mais que o normal, pode-se diminuir o débito cardíaco de uma forma tal que a pessoa desmaia. Esse desmaio é chamado de Síncope Vasovagal.
O que ocorre é que o coração bombeia o sangue pelas artérias para irrigar o corpo e, no retorno deste sangue dos membros inferiores, a contração muscular apertava para o sangue vencer a barreira da gravidade e voltar em direção ao coração. Se ocorrer alguma falha nesse retorno o sangue fica parado nos membros inferiores e a pessoa começa a aumentar estratégias de contração muscular para o sangue voltar para o coração e, consequentemente, aumenta a oscilação da postura. Esse balanço postural também depende de outros sistemas como a visão.

O componente muscular nesta oscilação é também para melhorar a eficiência deste retorno venoso. A pessoa com síncope apresenta uma falha nesse processo, oscilando mais e culminando com o desmaio.
Os resultados dos estudos, com a proposta do novo protocolo para avaliação da Síncope Vasovagal, foram apresentados no último Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, onde concorreu ao prêmio de melhor tema-livre de fisioterapia. Em junho, de 16 a 19, será apresentado no Congresso Mundial de Cardiologia, em Pequim, China.

Nova proposta
Segundo especialistas, atualmente o método usado na avaliação da Síncope Vasovagal é composto por protocolos internacionalmente estabelecidos, com testes de mudança postural, onde o paciente fica em média 45 minutos imóvel ou até o surgimento da síncope. São dois tipos de testes, ativo: onde a mudança da postura deitada para de pé se dá ativamente pelo próprio esforço do paciente e simulam situações do dia-a-dia, como ficar de pé em uma fila de banco e passivo: cuja mudança de postura é realizada por uma mesa que coloca a pessoa de pé sem esforço muscular do paciente.
Por isso, a preocupação dos pesquisadores da FMRP em padronizar estes dois testes, e analisar seus efeitos. O fisioterapeuta e mestrando do Departamento de Clínica Médica da FMRP, Rogério Liporaci, aplicou os dois testes em 15 mulheres saudáveis, sem história prévia de síncope, em dias distintos e em média por 15 minutos. Avaliou tanto respostas cardiovasculares quanto alterações na oscilação do centro de pressão do corpo.
Para tentar diminuir o tempo de exposição ao teste e o esforço do paciente, introduziu na avaliação a Manobra de Valsava, uma expiração forçada já documentada cientificamente e que é similar ao uso de drogas vasodepressoras, que diminuem a pressão arterial, e assim pode induzir a Síncope. “Os resultados mostraram que o protocolo com tempo reduzido de testes, no máximo 15 minutos, associado à Manobra de Valsalva, mostrou-se eficiente, aumentando a oscilação da postura, e pode ser uma alternativa às avaliações existentes”.
“O novo protocolo serve tanto para a forma passiva como ativa e a padronização destes protocolos, para facilitarcomparações entre os dois testes, ainda não está documentado na literatura científica”, comemora Liporaci.
O grupo de pesquisadores quis avaliar também os efeitos das alterações cardiovasculares no balanço postural do paciente. Esse balanço foi avaliado numa plataforma de força e a parte muscular por meio de eletromiografia, que registra a atividade elétrica da musculatura.
Segundo Marcelo Saad, fisioterapeuta que participou do estudo, foi verificado que o paciente com Síncope Vasovagal não tem só uma falha cardiovascular momentânea, mas tudo indica que tenha também uma falha muscular, de contratilidade dos membros inferiores.

Fortalecimento muscular
Segundo os pesquisadores, o sedentarismo é um fator agravante para o surgimento da Síncope Vasovagal, uma vez que o treinamento físico fortalece a musculatura e ajuda no bombeamento sanguíneo. Já exercícios físicos posturais e outras técnicas de tratamento como a cabeça elevada durante o sono, são tratamentos não farmacológicos que podem ajudar no combate à síncope.

O fisioterapeuta e mestrando do Departamento de Clínica Médica da FMRP, Rogério Liporaci ajuda no diagnóstico dessa patologia.
No Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FMRP), o estudo e tratamento de síncopes são clássicos, sob a coordenação do professor Lourenço Gallo Junior, do Laboratório de Fisiologia do Exercício, da Divisão de Cardiologia. No ano passado o professor Gallo firmou parceria com o Laboratório de Análise da Postura e do Movimento Humano, que tem a professora Débora Bevilaqua Grossi como uma das coordenadoras, para, entre outros projetos, iniciar uma parceria do estudo biomecânico como uma ferramenta interdisciplinar. Esta parceria já agregou novos grupos de avaliação em Biomecânica, como o da Faculdade de Educação Física da Unicamp, com os professores Sérgio Cunha e Luiz Eduardo Barreto.
Além dos fisioterapeutas Rogério, Marcelo e dos professores Débora Grossi e Lourenço Gallo, participaram do estudo a cardiologista Fabiana Marques, do Centro de Reabilitação Lucy Montoro, e Júlio César Crescêncio, do Laboratório de Fisiologia do exercício da Divisão de Cardiologia do HCFMRP.

Fonte: Fisioterapia

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