Tratamento da apneia reduz risco de doenças cardiovasculares.

Doença que atrapalha respiração durante o sono também amplia perigo de derrames.

Muitos desconhecem que têm a doença, cujo principal sintoma é o ronco alto e constante.

Tratamento da apneia com o CPAP reduz o risco de ataques cardíacos e derrames. Aparelhos custam a partir de R$ 200,00
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Que o ronco incomoda todos já sabem. Mas esse ato aparentemente inofensivo — apesar de irritante — pode ser sintoma de doenças graves que, se não tratadas, podem causar danos sérios à saúde, como um aumento no risco de ataques cardíacos e derrames. A boa notícia: esse perigo pode ser revertido.

Um novo estudo feito por médicos brasileiros acaba de demonstrar que o controle de uma doença simples, a apneia  pode produzir uma redução significativa do risco oferecido por essas doenças cardiovasculares.

Os resultados, obtidos por pesquisadores do Instituto do Coração (Incor), órgão ligado à Universidade de São Paulo, estão na edição de outubro do periódico médico “American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine”.

A apneia obstrutiva do sono — que pode ser entendida pelo fechamento das vias aéreas durante o sono e que leva o indivíduo a ficar sem respirar repetidas vezes por vários segundos — é uma patologia comum, mas desconhecida por muitos, cujo principal sintoma é, em 100% dos casos, o ronco.

Em recentes estudos, esse tipo de apneia foi apontado como sendo responsável pelo aumento de doenças cardiovasculares nos pacientes. Segundo o médico e pesquisador do Incor, Luciano Drager, primeiro autor da pesquisa sobre o tratamento da apneia na prevenção da arteriosclerose (entupimento das artérias), isso acontece pela constante falta de oxigenação sofrida pelo paciente. “Acredita-se que essa queda na oxigenação possa propiciar, ao longo dos anos, lesão nos neurônios, agredindo os vasos e o coração e gerando o aparecimento de doenças vasculares”, disse Drager.
Ele explicou que as pesquisas constataram que, quem tem apneia do sono, independentemente de qualquer outro fator de risco, como obesidade, pressão alta e diabetes, tem uma aceleração no processo de envelhecimento das artérias. “O paciente que tem apneia tem a artéria dez anos mais velha do que uma pessoa que não tem a doença.”

Tratamento

Durante a apneia do sono, o relaxamento muscular faz com que o fluxo de ar seja completamente obstruído por alguns instantes.

Dois anos após a publicação do estudo que confirma essa informação, o grupo de pesquisadores do Incor avaliou o impacto do tratamento, que consiste no uso de um aparelho chamado de CPAP (sigla inglesa para Continuous Positive Airway Pressure, ou Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas), na reversão dos impactos causados pela apneia obstrutiva do sono.

“O tratamento com a utilização do CPAP reverte o processo de arteriosclerose, que vai impedir que o paciente desenvolva infarto ou derrame”, afirmou Drager.

Apesar de existir há 25 anos, o aparelho só passou a ter aplicação no Brasil há pouco mais de uma década. Utilizado durante o período de sono, ele pressuriza o ar ambiente sobre as vias aéreas superiores do paciente, impedindo que haja sua obstrução. Dessa forma, explica Drager, a pessoa tem uma boa noite de sono, sem sofrer queda na concentração de oxigenação — o que pode gerar, com o tempo, até perda significativa da memória — restabelecendo a saúde e a qualidade de vida, antes severamente afetados pela doença.

Apneia isolada

O estudo analisou 24 pessoas com quadro de apneia grave, durante quatro meses. Aleatoriamente, 12 pacientes ficaram sem tratamento durante esse período, enquanto a outra metade recebeu tratamento com o CPAP. De acordo com Drager, os pacientes que receberam o tratamento apresentaram uma regressão em marcadores iniciais de arteriosclerose, fato que não foi observado no grupo controle (sem tratamento).

O mais interessante, segundo o pesquisador, é que nesse período não ocorreram alterações no nível de colesterol. “Isso mostra que a redução dos marcadores da arteriosclerose não foi vinculada a uma queda nas taxas de gordura.”

O estudo envolveu apenas pacientes com apneia do sono — eles não tinham pressão alta, não fumavam e não eram diabéticos. Com isso, ele mostra apenas o papel relativo da apneia sob a doença cardiovascular e o impacto do tratamento nesses casos. “É um estudo pequeno, em que os resultados não são válidos para o paciente típico de apneia do sono, que é o obeso, hipertenso, muitas vezes com um quadro de diabetes associado”, disse Drager. “A ideia era mostrar o papel independente da apneia”, continuou.
Agora, segundo ele, a pretensão é realizar um novo estudo, incluindo mais pacientes e que apresentem outros fatores de risco cardiovasculares. “A agregação de fatores é muito comum entre os pacientes de apneia”, disse Drager, acrescentando que cerca de 35% também têm hipertensão.

Fonte: g1.globo.com

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